Prepara, que agora, é hora do racismo velado*

Por Joceline Gomes**

Gente, eu sei que isso é uma piada, ok?

Gente, eu sei que isso é uma piada, ok?

 

Crianças, adolescente e adultos não podem mais ouvir a palavra “prepara” que já emendam: que agora, é hora, do show das poderosas – trecho da música de MC Anitta (sim, com dois T) que “estourou nas paradas de sucesso de todo o Brasil”. Mas esse post não é sobre a música, nem sobre a Anitta, nem sobre o funk. É sobre outra coisa.

Eu sei que essa imagem aí de cima é brincadeira, gente, não vamos focar nisso, ok? Mente aberta e vamos conversar. O que quero dizer é que essa garota estourou na mídia e é respeitada por ela porque é branca, “fez faculdade”, e os vídeos dela têm uma qualidade superior aos dos demais cantores de funk (afinal, gravar um clipe envolve muita grana, coisa que a galera da favela não tem). Para mim, ela é um ícone do racismo velado.

Branco cantando funk é ícone pop, preto cantando funk é bandido. Aliás, vamos fazer as devidas marcações de gênero, né? BrancA cantando funk é capa da Capricho, pretA cantando funk é “vagabunda”, “tá doida pra engravidar”, ou vocês não lembram do caso Bonde das Maravilhas?

Aliás, a “celebridade pop” falou sobre o grande sucesso do Bonde: o quadradinho de oito. “Eu inventei o convencional, que você tem que mexer o quadril e parar. Aí vieram as meninas do Bonde das Maravilhas e criaram o quadradinho de 8 em que elas ficam de cabeça pra baixo e formam um 8 com a perna. Sei fazer, mas tenho que fingir que sou fina”, brincou.

Ela é sexy sem ser vulgar. Ela inventou o passo. Mas ela não faz. Porque ela é fina. Afinal, quem faz quadradinho de oito de cabeça pra baixo não é fina, mas quem inventou é. Então tá bom. A branca inventou. As negras “não-finas” copiaram o passo e o “pioraram”. É a história da humanidade, o preto fazendo tudo errado sempre, e o branco contando a sua versão do fato, de como tudo era puro e bonito antes do preto chegar.

Não sei se vocês lembram, mas o funk foi inventado por negros. Logo, os passos também. Logo, Anitta, você não “criou” um passo, ele sempre existiu. O máximo que você pode ter feito é tê-lo “descoberto”, como Cabral “descobriu” o Brasil. Só falta dizer que inventou os passinhos das batalhas…

Antes de me perguntar por que eu defendo o funk, ou as dançarinas, ou porque não gosto da Anitta, por favor, pare pra pensar: quantas bandas de rock você conhece cujos vocalistas são negros? Quantos grupos de pagode? Quantas boy bands têm a participação de negros? Quantos grupos de funk? Quais desses grupos são mais discriminados e têm suas músicas depreciadas na grande mídia? Quais deles são considerados “alta cultura”?

E por favor, não me venham com a exceção. Milton Nascimento, Gilberto Gil, O Rappa, Broz (quem lembra deles?) são exceções. Eu quero mais de um nome. Anitta é um exemplo de algo popular que foi absorvido pela burguesia e virou “cult”. Bailes funk de favela são “perigosos”, bailes em boates de classe média são “balada”. Axé na rádio popular é brega. Axé no camarote vip open bar da micarê é “festa”.

O funk está passando por esse processo. As pessoas gostam, as pessoas dançam, mas ninguém quer ser associado com algo que não é “fino”. Anitta, branca, maquiada, perfumada, cheia das roupas de grife que trouxe das viagens aos Estados Unidos, foi, por um acaso do destino, identificada pelo mercado fonográfico como a pessoa que iria possibilitar esse embranquecimento do funk.

Vamos começar a chamar as coisas pelo nome? Sabe qual é o nome do processo que leva o funk a ser sucesso na voz da Anitta e ser piada com o Bonde das Maravilhas? Racismo. Vamos lá, eu sei que você não gosta dessa palavra, que ela está no mesmo nível de um palavrão horrível, uma coisa quase imaginária, mas é preciso dizê-la, e eu sei que você consegue: RACISMO.

Não é fácil chegar a essa conclusão quando você não gosta de funk, quando você não é negro, quando você nem sabe quem é Anitta. Mas facilita se você ligar a TV e começar a contar quantos negros você vê, seja em comerciais, programas de auditório, apresentando telejornais, enfim, sendo produtores, e não vítimas de piadas e/ou processos jornalísticos duvidosos.

A culpa não é da Anitta. Nem da música dela. Nem do funk. Vivemos numa sociedade extremamente racista (é um choque pra você, eu sei), que não considera bom nada feito genuinamente por negros. Rap, funk, axé, pagode: é tudo “subcultura”. Quer dizer, até alguém vir e fazer um clipe majestoso e sair na capa da Capricho. A coincidência é que a Capricho também não estampa negras nas suas capas. Ou você nunca reparou isso?

O racismo é realmente assustador, e pouca gente o percebe nessas nuances. As verdadeiras “poderosas” não se importam nem se preocupam com isso, porque estão viajando pelo mundo pra gastar o dinheiro que fizeram com o funk, tudo sendo muito finas, claro. Certa é a Anitta, que expulsa as invejosas e é fina. É outro nível.

 

* Texto publicado originalmente no blog parceiro Favela Potente.

** Joceline Gomes é jornalista, gosta de Lelek Lek mas não sabe fazer o quadradinho de oito (nem a versão fina).

189 thoughts on “Prepara, que agora, é hora do racismo velado*

  1. Vou citar só alguns nomes importantes de negros que contribuiram e contribuem com a arte da música nacional e internacional:

    Paulinho da viola, Chico Cience(Nação Zumbi), Milton Nascimento, Seu Jorge, Tony Garrido, Falção, Djavan, Wilson Simonal, Negra Li, Tim Maia, Jorge Aragão, Emicida, Mano Brown(racionais), Alexandre Pires….hã será que precisa de mais…Michael Jackson, Jimmy Hendrix, Chuck Berry, Lauryn Hill, Seal, WHITNEY HOUSTON, Corine Bale Ray, Jonh Legend, Jo Jones…até cansa viu.

    Sou negro e penso que você deu uma forçada no seu artigo. O negro sempre destacou-se na música e não deixa nada a dever as outras etnias. Mas há ressalvas, e esse bonde das maravilhas é uma delas: é um lixo de música. Não gosto do funk brasileiro e confesso que ao escutar a música dessa tal de Anitta pensei: é até “audível”! Destaco que não havia visto a “cor” da Anita! Existem Funks feitos por negros que até são audíveis! E recebem espaço da mídia sim, com músicas sendo tocadas em novelas da globo e tudo.

    Agora quem não conhece o mercado fonográfico desconhece que a Anitta é um produto de uma gravadora que enfia dinheiro nas mídias para sua música seja tocada, Por isso a sua exposição!

    Em relação ao espaço dado pela mídia para negros não é novidade para ninguém. Lembro de uma novela da globo em que uma atriz negra tomava banho de mangueira na laje da sua casa, enquanto uma branco tomava banho com pétalas de rosas e sais de sei lá o que.

    Enfim, essa relegação é latente no Brasil e temos que lutar contra ela, mas, neste artigo você forcou a barra!

    • Leandro,perfeito o que você disse.O artigo forçou uma barra.Sou musicista negra e penso que temos muitos representantes de destaque sim.Não gosto do funk carioca pela falta de qualidade musical.Também achei o hit da Anitta aceitável mesmo antes de saber de sua cor.

    • Cara, comentário ótimo Leandro. Esse texto tem vários problemas, e passa a impressão de que a autora tá meio bitolada com a causa contra o racismo, a ponto de culpá-lo por tudo.
      Gosto de uma infinidade de artistas negros, inclusive muitos dos quais você citou (poderia ter citado também Nina Simone e Bloc Party hehehe) e eles são sim muito bem sucedidos. Eu não fazia a mínima ideia de que Anitta fez faculdade, e não acho que isso influencie consideravelmente no que as pessoas pensam da música dela.
      A verdade é que a música não tem conteúdo explicitamente sexual, como boa parte dos funks, é muito bem produzida, diferente de boa parte dos funks, é cantada, diferente de boa parte dos funk, tem um clipe bem feito, diferente de boa parte dos funks. Considerando a batida e o arranjo, pra mim sequer pode ser considerada funk. Além disso, recebe grande investimento para ter exposição mediática.
      Não estou dizendo que por isso é melhor que os funks, até porque não gosto de ambos, mas que diante de tantas questões, e tendo-se o mínimo de conhecimento sobre o mercado fonográfico, não faz sentido jogar a maior parte da culpa no racismo – embora eu considere que ele influencie, sim, mas de maneira bem menor do que o texto supõe.
      Fora isso, não acho que o Show da Poderosas se tornou cult, e sim que as pessoas ouvem e dançam mais pra zuar. E, sinceramente, alguém com mais de 12 anos se importa com a Capricho?

    • Concordo PLENAMENTE com o Leandro, não sou negra mas tenho direito de opinião, e acho que voce apelou tipo 100% nesse post. Tá, voce quer exemplo de negros FUNKEIROS de sucesso? Pra mim o funk começou com o estilo melody, de Claudinho e Buchecha. Com o perdão das palavras, mas quadradinho de 8, senta senta na piroc*, e chupa o meu grel**** não é cultura pra mim. Não vem dizer que é porque os “artistas” que cantam essas “músicas” são negros, eu não gosto porque é feio, não me identifico com esse tipo de música, tem gente que gosta, mas ninguem é obrigado. E é lógico que se um funk vai virar ícone da representação do Brasil não pode ser no estilo Mr Catra ou Valeska popozuda. Tem que ser light. Voce está completamente equivocado no seu pensamento, mas… todo mundo tem a sua opinião, e voce expressou a sua.

    • Eu acho que ela, assim como você, só defendeu um posto de vista, neste caso usando exemplos diferentes. Você dois estão falando da mesma coisa, isso é óbvio. Mas acho que o exemplo dela usando a Anitta é tão válido quanto o seu, do banho na laje.

    • adorei seu comentário Leandro, tbm sou negra, sou atriz, palhaça. acho que houve uma força de barra sim no texto. claro que sabemos que o racismo velado existe, mas há tbm bem mais referências negras na música do as citadas pela Joceline.

    • Super concordo com você Leandro, eu sou branca, mas minha família toda por parte de mãe é de negros. Eu acho que o texto foi forçado demais. Só uma pergunta, atualmente pelo que vejo do cenário do funk, estamos vendo tres grandes estrelas brilharem, Anitta, Naldo e Koringa… até onde eu sei Nlado e Koringa são negros e fazem até mais sucesso do que a própria Anitta. Aqui na minha cidade show do Naldo é motivo pra comentário no facebook a semana toda. Gosto do estilo de funk dos 3, porque resgata um pouco daquele funk dos anos 80/90, tipo Claudinho e Buchecha, que são negros! Esse sim é o funk que os negors inventaram há anos atrás. Bonde das Maravilhas? Pelo amor de Deus, não existe nenhum estilo musical que essa aberração audível se encaixe, não é porque elas são negras, é porque o som é ruim mesmo. Assim como Michel Teló, Gustavo Lima e você, Luan Santana e afins… esse artigo é forçado demais, e evidencia como alguns negros tem preconceitos contra eles próprios. A maioria das minhas amigas negras, casaram-se ou namoram branquinhos… e aí???

    • Muito bem escrito Leandro, creio que a rejeição ao funk não se dá por conotação racial, e sim social e cultural, principalmente quando as letras são associadas a crimes e violência, ou como no caso do bonde das maravilhas à falta de criatividade musical somada à baixa qualidade melódica (a Anitta no caso, é como você disse, “audível” por causa desse último quesito). O preconceito ao funk se deve principalmente à sua associação às favelas e à pobreza urbana brasileira e não à sua associação aos negros (existem funkeiros brancos rejeitados da mesma maneira por serem pobres e favelados). Convenhamos que raça, no Brasil, é um tabu que deve ser quebrado. A sociedade brasileira não pode ser dividida em raças como a americana, a maioria dos brasileiros não é formada por brancos, negros ou índos, mas alguma coisa entre esses três, 90% dos brasileiros, por mais clara ou escura que seja sua pele, tem porcentagens desses três grupos étnicos em sua ancestralidade e a cultura brasileira é formada pela mistura de todas essas e dos imigrantes que vieram depois, é a nossa riqueza, nossa música, nossa culinária, nossa dança, nosso modo de viver. Vamos parar de olhar para o outro e enxergar uma raça que não existe, nós somos todos brasileiros não importa a cor da nossa pele. Quem rejeita isso é estúpido e anti-patriota (principalmente a elite que se acha branca enquanto come feijoada). Nem vou comentar da estupidez das novelas da Globo, que não são falsas e preconceituosas apenas com os negros, mas com nós mineiros (sempre retratados como caipiras, bobos e inocentes, por exemplo), com os nordestinos, com a classe média brasileira, que parece não existir (na moral, se for pelas novelas, no Brasil existem apenas alguns milionários, o pessoal miserável, os serviçais e um monte de urubus que vivem por conta de brigar pela herança). Finalizando, para mim, o funk não tem nada de especialmente negro, mas sim de uma cultura de favela, associada à pobreza e à violência urbana, coisa que começou de uns 50 anos pra cá. A origem africana, é juntamente com a européia e a indígena partes da identidade nacional, somos tudo isso e nada menos. Amemos nosso país e todas as riquezas que ele produz.

    • como faz pra curtir esse comentário aqui em cima???muito bom mesmo…e tb concordo que a moça apelou no texto, as músicas do bonde das maravilhas são lixo musical sim e não é pela cor da pele delas…como disse o cara aqui em cima o Leandro, negros com talento são reconhecidos e não é pouco, agora, dá licença minha filha…vc apelou mesmo

    • Concordo em gênero, número e grau com o seu comentário. O racismo tem que ser combatido, mas esse texto foi uma forçação só.

    • Concordo com o Leandro. E vou além…
      Forçou muito a barra nesse texto, sinto muito. Além disso se mostrou preconceituosa e VOU MOSTRÁ-LA POR QUE.

      Nessa situação, o “racismo” que você percebe não está na criação/fenômeno Anitta em si e sim no preconceito das pessoas que você observou no seu cotidiano e, ouso dizer, em você mesma que procurou olhar com esses olhos.
      Independente de a Anitta ser branca ou não (coisa que sabemos que ela não é, aliás a família dela é de nordestinos e já ela disse isso) ela é uma mulher bonita e cedo ou tarde cairia nas graças da mídia. Não bastando, existe um esforço para agregar qualidade ao seu trabalho (ela canta melhor que todas as outras funkeiras, tem letras melhor estruturadas, figurinos mais interessantes e uma banda e corpo de bailarinos de bom nível).
      Tudo isso faz as pessoas simpatizarem pelo artista. Ah, antes que você me pergunte o que é bom nível: gente que estudou, que buscou treinar, aprender e ralou muito pra saber fazer o que faz. Isso é bom nível, ou se você preferir, nível profissional, independente de ser preto ou branco (se você notar, a maior parte dos profissionais que trabalham com ela são negros). Bonde das maravilhas nunca foi profissional.
      Além disso, existem outras funkeiras brancas que nunca chamaram atenção das pessoas em geral e não caíram na graça da “classe média”. Não sei se vc conhece funk tão bem como diz, mas eu to bem por dentro.
      Mais uma coisa: ignorar todos os diversos artistas pretos pra dizer que poucos são os notados é no mínimo triste. Nem vou entrar nesse mérito pq chega a ser desprezível esse argumento.

      Só umas ponderações: NÃO SOU NEGRO. NÃO SOU BRANCO. Sei lá que cor eu sou, portanto não vou basear minha opinião nisso porque antes de tudo sou cidadão e mereço crédito na minha opinião independente de ser preto ou branco (ao contrário do que você disse no seu texto, sugerindo que é difícil enxergar preconceito sem ser negro – não é preconceituosa também essa sua opinião?).

      A mídia realmente não dá espaço ao negro (fato) mas essa não é a questão central do seu texto que escolhe exemplos bem específicos para serem analisados. Sendo assim, se você quiser argumentar alguma coisa, evite usar essa ideia da ~Revista Capricho não dá capa a negros~. Essa é uma dica pessoal minha. É uma revista esdrúxula, sem conteúdo útil algum. Além disso, sabendo que a classe média brasileira e as leitoras fúteis da Capricho são predominantemente brancas você realmente esperava ver frequentemente negras na capa? Seria como querer vender a revista RAÇA com ruivos sardentos frequentemente. Independentemente de não ser declarado, é óbvio que o público alvo dessa revistinha tosca são menininhas infantilóides pré-adolescentes da classe média brasileira, que adivinhe, é branca. Não é a revista que se impõe para brancas, é o mercado da revista que a faz ser assim. No dia que houver mais negros com tempo pra ficar lendo essas asneiras na classe média brasileira talvez seja mais frequente capas com pretas. Agora, resta saber se isso é bom. Se você acha que sim, em vez de lutar por um lugar melhor para “as meninas do bonde das maravilhas” ou “uma capa com negra na conceituadíssima Capricho” você deveria lutar para que mais negros brasileiros vivam uma vida digna e longe do racismo imbecil e consigam fazer com que o atraso social imposto por séculos de relação desigual entre as “raças” seja ultrapassado.

    • A ANITA É BRANCA ???? ACHO QUE NÃO , PELO MENOS EU NÃO CONSIDERO , PRA MIM ELA É MULATA . SE O TIM MAIA ERA NEGRO ANITA TANBÉM É , E SOBRE NEGROS O JIMY HENDRX É TIDO COMO MAIOR GUITARRISTA E O DERYC CANTA NO SEPULTURA ENTRE OUTROS .

  2. Gostei muito do texto, realmente não tinha parado pra pensar nisso, acho interessante também ressaltar que a forma como os “brancos” retiram toda a culpa do racismo das costas deles dizendo que o preconceito esta em nós mesmos, com esse complexo de inferioridade que nós temos, bom eu não tenho isso não, ou será que complexo meu reparar q tem algumas pessoas em comércios que ficam me seguindo pela loja inteira com medo de eu roubar alguma coisa, deve ser complexo de inferioridade mesmo né. Ontem assistindo TV vi a Presidente falando sobre a violência que os negros sofrem principalmente as mulheres negras, mas deve ser coisa de uma mente complexada. É interessante pessoas que se dizem não preconceituosas com alguns comentários totalmente preconceituoso, e depois se sentem ofendidas se nós não entendemos oque elas querem dizer, e nos acusam de preconceituosos e vitimistas. É muito complicado isso.

  3. Fico sempre me perguntando até onde podemos separar as cores? Onde ´posso me encaixar nessas disucssões e confesso que as vezes eu canso! Não sou de pele negra, não tenho cabelo liso, não sou loira, nem gosto de funk…onde eu me encaixo? Essa discussão de branco e negros é muito mais que uma questão só dos negros…é uma questão social..economica e muito mais que racial…colocar tudo nume mesmo saco é limitador e racista assim como seu discurso.

  4. 1 – Esse tal de quadradinho de 8 a galera do Dancehall já fazia

    2 – Funk é um estilo de música da década de 60

    3 – Sim, a indústria cultural empacota e transforma as manifestações culturais dos mais pobres para vender para a classe média

  5. “O Racista
    Ele tem nome e sobrenome. Tem endereço, telefone. Ele não é mau. Ele aprendeu a ser assim. Aprendeu na escola, na rua, em casa… E apenas tem repetido o que aprendeu. Mesmo sem querer. Claro que ele não gostaria de ser assim. Talvez ele nem saiba que é. Talvez ele pense que por ter um amigo negro não seja racista. Talvez ache que, por que sua empregada é negra e a respeita como outro ser humano qualquer, não seja racista. Ele nem sonha que seja racista e acha que o racista é o outro. Julga e condena, mas mal sabe que ele também é. Ele pensa: “longe de mim ter preconceito!” Mas logo em seguida fecha correndo o vidro do carro ao ver se aproximar um suspeito negro. Ele diz: “não sou racista!”, mas logo em seguida pensa ser uma bobagem esse negócio de ação afirmativa. Ele pensa que o negro tem uma sensualidade natural, que a mulher negra já nasce com esse rebolado, com essa malemolência, com essa malícia no olhar. Ele acredita ser natural ao negro ter ginga no corpo e samba no pé. E nem passa por sua cabeça que isso seja racismo.
    O racista. Ele tem nome e sobrenome. Tem endereço, telefone. Ele não é mau, ele sou eu, é você. Nós aprendemos a ser assim. Na escola, na rua, em casa… e apenas temos repetido isso, mesmo sem querer.” Daniela da Costa

  6. Gente, pelo amor de Deus. Ela “inventou” (vulgo: popularizou o QUADRADINHO), as meninas do Bonde das Maravilhas fizeram o quadradinho de cabeça pra baixo, e colocaram o nome de quadradinho de oito. Já começou a parada errada por aí.
    Depois, parece que Anitta é uma ariana da forma que colocaste aí. Ela alisa o cabelo. Faz pop, nao funk. Assim como o Naldo (que é mulato, ou seja, descende de negros! E é um puta artista de pop, pq sim, o que ambos fazem não é funk!).
    Levaste o comentário de “tenho que fingir que sou fina” muito a sério. Por favor!
    Lamentável, apenas. Não há racismo algum, velado ou nao. Há exagero-exageradamente-exagerado!

  7. A aceitação imensa da Anitta, realmente, se deu por que a classe média e alta se “reconheceu” nela. É o som de preto e favelado (q quando toca, ninguém fica parado) mas, feito pra riquinhos e suas baladas.
    Sendo produto da gravadora ou não, sua cor ajudou e muito a garota achar seu lugar no Fantástico.

  8. Algumas coisas…
    1- Anitta não é branca.
    2- Em relação aos generos musicais, tanto os depreciados pela midia, quantos os elevados pela mesma, são oriundos dos negros. O Rock, O Blues, O Jazz e o Rock n’ Roll, a Salsa, O MPB, o Soul, O Funk Norte-americano e tantos outros estilos foram criados e produzidos por negros. Portanto não vejo razão para tal apontamento. NÃO ESQUEÇA QUE O PAI DO ROCK É NEGRO. E ao meu ver não existe genero musical mais aclamado do que o Rock.
    3- Funk de Anitta e Funk do Bond das Maravilhas, tem caracteristicas sonoras diferentes, sendo assim é provavel que nem todo mundo curta ambos.
    4- Se vocês me falassem dos papeis reservados a negros nas novelas, nos programas, nos jornais, eu até concordaria, mas este post não teve sentido algum. Anitta é negra (sim, pardo é negro) e o Bond também, então nada fez sentido.

  9. A alienação preconceituosa contra o preconceito! Parte das pessoas q gostam de manipular as outras pessoas, como a mídia faz, mas qnd usa minorias em seus discursos sem fundamentos e qualquer razão. Só isso q tenho a dizer! Sua opnião não é teoria, e por favor não defenda um grupo com uma criança de 13 anos que dança de cabeça pra baixo e mostra 7 dedos enquanto fala 8! Todos os negros que fizeram seu trabalho bem feito tiveram seu destaque. Além dos negros no Brasil, existe tbm os pardos, os mamelucos, os cafusos e até onde sabemos, nas novelas não aparecem só pessoas louras, brancas e de olhos claros, então parem com essa supremacia caucasiana que vcs criam pra defender negros. Ninguém precisa ser defendido por pessoas cm vc!

  10. Acho que os companheiros que chamaram de exagero, não pararam para pensar no que o texto quer dizer de fato. O texto não está falando sobre a qualidade musical, inclusive ela chega a ser citada porque a Anitta tem sim uma maior qualidade na PRODUÇÃO devido ao dinheiro nela investido. O texto se refere ao fato de que por anos o funk era suburbano e todos ficavam chocados quando a Xuxa dançava qualquer coisa que não fosse claudinho e bochecha, mas a Anitta pode porque assim como Claudinho e Bochecha ela higieniza o funk, tira a vulgaridade, leva para a classe média e faz com que as crianças possam ouvir, cria uma coreografia e vira uma artista POP. Aí que está, ela vira uma artista pop, porque FUNKEIRA (que é a cultura da favela, que é a mulher negra que grita “my pussy é o poder” porque ela está se libertando do machismo eminente, principalmente nas classes mais baixas onde as mulheres não sabem o que fazer em casos de agressão, por exemplo, onde não se tem apoio, onde o poder público esquece…) é feio e é vulgar. Ou você acha mesmo que a funkeira, NEGRA e pobre, da favela faz funk “cult”? A culpa não é da Anitta, nem dos fãs dela, sou uma fã da Anitta, inclusive, mas nem por isso o texto deixa de fazer sentido.
    A Anitta foi usada como uma forma das grandes produtoras e mídias para embranquecer e moldar o funk, transformando-o em um novo pop, mas só se for com a cantora siliconada, branca, com roupa de marca. A negra da favela vira assim mais uma forma de piada, afinal, ela é “vulgar” porque quer, se a Anitta consegue ser funkeira e não ser vulgar… O funk da Anitta agrada a classe média, dá dinheiro, gera carreira internacional e dá uma melhorada na visão do Brasil antes da copa ;)

    • o que ela coloca em questão é que ela usa o fato da anitta “ser branca” como explicação pro sucesso dela (olha anitta nem é funkeira,embora tenha iniciado a carreira como uma) mas a explicação obvia pro sucesso da anitta não está no cor dela,mas basicamente na música chiclete

  11. Achei o texto deveras exagerado e as comparações dela foram altamente contestáveis. Existe uma questão de qualidade musical e produção visual – que não foram abordadas no texto – que diferenciam a Anitta e as Maravilhas, isso não é uma questão racial como a jornalista disse. O quesito do quadradinho de 8 como sendo “vulgar” e o original sendo “recatado” não condiz com a cor da pele ou condição social: podemos tomar como exemplo a Valesca popozuda, que é branca mas é “vulgar” também. Podemos pegar exemplos estrangeiro para demonstrar o “grau de vulgaridade” de estilos de dança: I’m Still In Love (Sean Paul Feat. Sasha) difere totalmente de Twerk (Lady), só de mudar o jeito que se dança, já faz uma grande diferença do ponto de vista visual. E o comentário sobre o passo: só porque o funk carioca foi “criado” pelos negros isso não significa que a Anitta não pode criar algum passo… é a mesma coisa que dizer que o Pat Metheny não pode criar alguma música ou técnica porque o jazz foi inventado por negros, totalmente non-sense! E ela defende o Funk carioca porque é música feita por negros? Porque não defender o samba, o pagode carioca/paulista, o rap? Acho que ela poderia passar a mensagem proposta de alguma outra forma ou ter argumentos mais consistentes.

    • Já desconstruo o seu comentário a partir da primeira frase.
      A questão aqui não é dizer que letra é mais bonita ou qual clipe foi gravado com melhores condições. Isso tudo é muito pequeno diante da questão-chave.

      Ler só o título não o qualifica para criticar o texto.
      Se tivesse lido o primeiro parágrafo, no mínimo, não gastaria seu tempo fazendo esse comentário.

      • Não há a “desconstrução” do meu comentário.E eu não li somente o primeiro parágrafo (se você lesse o meu comentário – que considero autoexplicativo, diferentemente do texto -, entenderia que eu critiquei várias partes do texto), li o texto na íntegra e me qualifico para criticar o texto pelo simples fato de que, quando você leva algo a publico, está sujeita a ouvir/ler comentários que discordam do seu ponto de vista e do ponto de vista da autora que, ratifico, não foi feliz nos exemplos que deu.
        Anitta não canta/dança Funk carioca, ela,assim como o Naldo(“embranquecimento” do funk? acho que não…), é cantora de musica pop e totalmente dirigida por uma gravadora. E a questão aqui é sim falar sobre letra ou produção. A Anitta tem uma grande gravadora(Warner), ótimos diretores musicais, professores de música, dançarinos competentes e uma equipe monstruosa por trás da fama dela e, além disso tudo, o talento da própria! Elá é dançarina, tem uma voz razoável e composições com algum enredo. Só porque ela faz sucesso e as Maravilhas não, significa que ela “é um ícone do racismo velado”?
        Vamos voltar um pouco no tempo, abordando a mesma indústria fonográfica à qual estamos nos referindo.
        Você deve se lembrar da Tati Quebra-Barraco, não?
        Começou nos bailes funks e, pouco tempo depois,era sucesso geral no brasil inteiro, lotava casas de show da classe A do RJ e tocou, inclusive, na Europa! Além disso só falava “putaria” (a Valesca Popozuda faz a mesma coisa que ela, mas sem a mesma maestria e, por isso, não chega nem aos pés do sucesso da Tati), é obesa e – levando em conta estereótipos de beleza midiáticos – não é bonita e, mesmo assim, é uma Mr. Catra mulher! As meninas do bonde das maravilhas são criticadas porque elas não tem criatividade alguma (fizeram agora o “quadradinho da borboleta”, que veio da “ideia” do “passinho da borboleta” do bonde das gayravilhas, que as copiou no nome) e tem uma qualidade musical sofrível.
        A “questão-chave”, como você chama, engloba um leque de discussões (racismo, manipulação midiática, desvalorização cultural, etc…) que são muito amplas para serem discutidas nesse pequeno espaço.
        Concordo com a ideia explanada no texto, mas a autora foi infeliz em usar esses exemplos. Quando você vai escrever sobre algo (principalmente se for um texto crítico), deve-se escrever com base em dados amplamente pesquisados e não somente a partir da sua ideologia ou do que você encontra por aí na própria “midia manipuladora”.

  12. Sou negra, tenho alguma noção do racismo sim, mas pera lá… Esse texto está “pesado”! Pra começar, a Anitta nunca foi e nunca será branca, ela passa é muita maquiagem, e daí o “problema”é dela, vamos deixar a moça se pintar da maneira que lhe agrada.

    Acontece que no hit “Show das poderosas”a mulher não é colocada numa situação ridícula…Não diz, por exemplo, pra “colocar a bunda no chão”, como fazem as meninas do Bonde das Maravilhas, que é um dos “menos piores”tipos de funks cariocas existentes. Eu não ouço funk, acho nojento e com certeza, não acrescenta NADA na vida dessas crianças e adolescentes e pasmo ao dizer, que até adultos têm a infelicidade de ouvir, enquanto poderiam ouvir músicas que os incentivariam a conhecer os autores, cantores e saber de histórias extremamente relevantes, enriquecendo o repertório cultural.O “problema” hoje em dia é o funk, mas já foi o axé, na minha época, com as “músicas” do “É o tchan”, que eu, na minha inocência de criança, dancei e cantei. Hoje eu percebo a quantidade de “porcaria”que saía dali.Portanto, acredito que nós deveríamos é nos preocupar em educação, ao invés do tipo de “música”do momento…Vamos estudar, trabalhar, que tudo isso fica muito pequeno diante de um hit do momento e até mesmo de um trauma racial.

  13. Adorei o que o Leandro falou! De fato temos muitos cantores negros na mídia! mas não desmereço de todo o texto! O autor está correto ao abordar o racismo! Mesmo porque, Anitta não é FUNK! É POP! Mas realmente há uma tentativa midiática de transpor o estouro dela para o FUNK. Eu só acho que, assim como outros cantores que tiveram essa ascensão pop grande, ela tbm vai sumir rapidinho!os famosos 15 minutos de fama.
    E eu vejo o racismo na hora em que tentam dizer que isso tbm é funk quando não é. Sem falar que a musica dela é audivel justamente pq ela tem dinheiro pra investir em bons empresarios. ela de fato é uma pessoa estudada, branca tá fazendo mais sucesso que mtos por ai. Não gosto dela, não gosto de funk. Mas o funk mesmo, que é a cultura brasileira das favelas, é outra coisa, por mais que não goste!

  14. Pegue como exemplo a Axé Music: Todas as cantoras e cantores puxam para o lado afro nas letras e no ritmo (Saulo, Ivete Sangalo, Claudia Leite, Daniela Mercury, Chiclete com Banana, desses só resta Timbalada, com Denny e Maragreth Menezes que não são as grandes estrelas do axé, apesar de serem ótimos artistas)), agora eu pergunto quantos são negros vocalistas de destaque? E por que? Falta de talento é que não é. Se na Bahia é assim, imagina na grande mídia!

  15. Muito forçado… Vários negros tiveram destaque com o funk, e a Anitta não é a primeira branca (mãe Loira manda beijos). Nem tem muito o que discutir, pois esse texto peca de largada pela falta de aderência à realidade. Infelizmente as pessoas de esquerda sempre tiveram preconceito com o funk e nunca buscaram conhecer sua cultura, ou o valorizaram como expressão.

    • kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
      “Pessoas de esquerda”, Marcus?
      Nem vale a pena entrar no mérito para discutir.

      Sobre o restante das suas considerações, acho que lhe faltou ler adequadamente o texto e, quem sabe, investir um tempinho para ler os comentários.
      Quanto à “aderência à realidade”, afirmo que a única coisa que não nos falta é o conhecimento sobre o que acontece no cotidiano da mulher negra!

      • Joana, eu acho que você está tentando de todas as formas defender um texto ridiculamente falacioso só porque ele toca em um ponto válido, ainda que de uma forma completamente distorcida.

        Em primeiro lugar, Anitta não é branca, é parda. Aliás, as próprias maravilhas são pardas também, exceto uma ou outra. Dizer que é causa da “cor” dela, é algo bem, MAS BEM idiota, forçado e apelativo. Branca é a Valesca, e curiosamente as pessoas não gostam da Valesca tbm, será que é porque a Valesca é uma negra disfarçada? MC Pocahontas é parda, com traços muito mais negros do que os da Anitta, e as pessoas também gostam dela, o que desprova DE NOVO esse papo de “racismo”. Uma pessoa racista não vai gostar de funk em primeiro lugar. Daleste era pardo também (com traços brancos), e as pessoas curtiam ele, MC Lon é pardo com traços mais negros do que os do Daleste, e as pessoas curtem ele. Mr Catra é negro, e é mais famoso e rico do que todos esses outros.

        Isso me restringindo ao funk apenas né, porque se eu pegar um Seu Jorge da vida chega a ficar ridículo de tão óbvio o quão imbecil essa tese do racismo é. Geralmente o racismo é a última opção que se atribui ao sucesso ou o fracasso de um artista, nos dias de hoje, mas na cabeça de vocês é a primeira. “Ah, pq ele não gosta do bonde das maravilhas? Pq ele é racista! Ah, ele não é racista? Bom, então acho que é porque ele não acha legal ver gente se contorcendo de cabeça para baixo como num ataque epilético, mesmo.”

        Segundo, Anitta TAMBÉM dança de uma forma sensual/sexy/”safada”, mas ela faz de uma forma QUE NÃO É REPUGNANTE, COMO AS MARAVILHAS FAZEM. Rebolar até o chão é diferente de ficar de quatro e começar a bater bunda com bunda, ou ficar de perna pro alto rebolando, ou ficar de lado e fazer uma borboleta com as pernas, ou ficar de perna pro alto, numa cama, com dois caras sem camisa simulando uma masturbação do lado. Entenda: Por mais que essencialmente ambas fazerem a mesma coisa, chega um PONTO ONDE DEIXA DE SER EXCITANTE E VIRA ALGO ESCROTO. Imagine uma mulher (ou um homem) tomando um banho, fazendo movimentos sensuais e tudo mais, agora imagine esse mesmo homem ou mulher tomando banho de Guaraná Antártica no meio da rua. Vocês dizem que é ‘sexy sem ser vulgar’ de maneira sarcástica, mas é bem isso mesmo, e isso nada tem a ver com racismo e sim com gosto pessoal de cada um.

        Mais ou menos assim: http://noliquidificador.files.wordpress.com/2011/04/whats_better_02.jpg

        E aí, gostou? Achou bonito? Achou atraente? Não? Vixe, tem que ver esse racismo aí hein. Ignoremos o fato de que qualquer pessoa em sã consciência cívica e higiênica acharia isso algo REPUGNANTE independentemente de o “banhista” ser homem ou mulher, branco negro ou amarelo.

        É mais ou menos isso a diferença entre a Anitta e o Bonde das Maravilhas. A Anitta sensualiza no banho, as maravilhas no refrigerante. E o refrigerante é obviamente mais nojento. O problema não é a cor das dançarinas, e sim a falta de “senso estético” entre o que é sexualmente estimulante, e o que é grotesco. Eu mesmo não gosto de ver os dançarinos de funk fazendo aqueles “passos” onde eles encoxam a mulher no palco, é por que eu sou racista? Não, é porque eu acho algo e-s-c-r-o-t-o.

        Você pega a coincidência de o Bonde das Maravilhas ser proveniente de uma classe social mais baixa do que a da Anitta, e usa isso como uma justificativa para ignorar o fato óbvio e ululante de que a Anitta faz música de melhor qualidade do que o Bonde das Maravilhas, e não qualidade técnica, produção visual e tudo mais, e sim qualidade musical. Como já disseram aí em cima, Anitta é “pop”, não funk. Ela emula algumas coisas do funk, mas o estilo dela na prática é diferente. As letras dela não falam tão explicitamente de putaria como as do bonde. Claudinho e Buchecha também eram de uma classe baixa, e foram provavelmente os funkeiros mais bem sucedidos, por que? Porque a música deles agradava a população, você podia ouvir perto dos filhos e tudo mais. O fato deles serem negros, de classe baixa, whatever, ficava em segundo plano, em comparação à música deles, que agradava os ouvidos (não de todos, obviamente). O Samba está aí pra provar a MESMA COISA. Seu Jorge, negro e ex-mendigo, está aí para provar a mesma coisa. Thiaguinho, Exaltasamba, estão aí pra provar a mesma coisa. Cadê o racismo nessas horas? Vocês confundem gosto estético com racismo, isso é algo ridículo.

        Vocês querem forçar essa BOSTA de música do bonde das maravilhas goela abaixo de todo mundo, e quem não quiser engolir é prontamente taxado de racista preconceituoso. Mesma coisa com a Valesca, quem não gosta de ver a Valesca “se gabando” de dar para 10000000 caras num mesmo baile, é um machista chauvinista patriarcal opressor. Parem com essa palhaçada.
        Aí você vem com o papo “ah, mas os homens podem….” Eu digo que acho igualmente UMA MERDA.

        PS: Fui numa festa no Jardins (bairro de alta classe aqui de SP), e tocou “faz quadradinho de borboleta”. Acho que era só para não serem descobertos pelo esquadrão anti-racismo, diz aí.

      • Estou tão cansada de responder comentários escrotos que vou ser curta e grossa com você:
        Lê o texto primeiro antes de perder seu tempo digitando umm posicionamento irrelevante como esse!
        Não estamos convercer ninguém que Bonde das Maravilhas é bom, até porque eu também não gosto. Então, valorize as aulas de interpretação de texto que voce deve ter assistido e entenda o que foi escrito antes de falar bobagem!

  16. Oi, Joanna.

    Primeira vez que leio seu blog. O tema é interessante, eu concordo com ele na essência, mas não nos detalhes.

    Primeiro que o racismo velado sempre esteve aí.

    Segundo, o texto parece falar de um tema super pertinente, que a o “branqueamento da música”, para ela ser mais aceita comercialmente (e pelos motivos mais racistas possíveis), uma história que já conheço desde os tempos de Elvis Presley, quando este “branqueou” o rock, uma música criada por negros. Esse fenômeno ocorre de fato com Anitta, ela é mesmo a “branca” comportada que veio “moralizar” o funk (mas ela é “pop”). Quer tornar o ritmo palatável ao consumo da classe média. Tem muitos exemplos desse por aí.

    Agora, o que o texto dá a impressão, e aí é que pega, é que “se eu não gosto de funk, eu sou racista”. O funk brasileiro vem impregnado de uma série de conceitos machistas, e ninguém é obrigado a gostar de um estilo musical por sua essência sociológica. Preferência musical é uma escolha quase subconsciente – que pode carregar preconceitos de qualquer espécie. Não gosto de funk, mas respeito e acho divertido. E não gosto da Anitta.

    E não dá pra concordar quando você fala que os negros não tem representatividade na música. No século XX, a música é dos negros. Além dos primórdios do rock, o rap, o reggae, o funk, a popularização de estilos africanos. Nos EUA, as paradas são ocupadas por artistas negros. E os leitores já deixaram uma lista enorme do quanto os negros fazem parte da música brasileira. Isso não quer dizer que o meio artístico seja imune ao racismo. Nenhum é.

    Cabe também uma pergunta: dá mesmo pra chamar a Anitta de “branca”? Se ela não fosse famosa e não alisasse o cabelo, não correria o risco de ser barrada em alguma porta de balada ou ser orientada a usar o elevador de serviço de algum prédio?

    Não sei o que você pensa disso. Abraços.

    • Oi, João. Obrigada por suas considerações. É sempre bom fortalecer o debate!

      A minha única intervenção quanto aos pontos abordados por você, é o fato de você ACHAR que o texto se refere a quem não gosta de funk como racista. Isso é um equívoco e, para você, esse fato pode não ter ficado bem claro.
      Como a autora explica no início do texto, não se trata de dizer qual estilo musical é melhor ou que artista é mais vulgar. Assim como não faz nenhuma relação entre quem não gosta de funk com o racismo.

      Espero ter esclarecido!

      • Ah, e quando eu digo “povão”, não me refiro aos pobres e sim à população em geral. Um programa feito para atingir o máximo de público. Outro exemplo: Dança dos famosos, novelas em geral, programas de auditório…

        Todas as classes gostam do funk, até do Bonde das Maravilhas. Elas não sofrem mais ou menos racismo do que a Anitta, o que faz a Anitta mais famosa é o fato de que as músicas dela não são tão apelativas, não tem nada a ver com racismo.

      • “Vamos começar a chamar as coisas pelo nome? Sabe qual é o nome do processo que leva o funk a ser sucesso na voz da Anitta e ser piada com o Bonde das Maravilhas? Racismo” fala claramente que se você não gosta de funk vulgar (bonde das maravilhas) você é racista

  17. Acho isso uma besteira sem fim. Racismo porque? Se ela tem dinheiro pra gastar com clipes o que impede ela de gastar? Medo de ser chamada de patricinha e racista? Vocês são tão racistas quanto a turminha dos WhitePower, a única diferença é que o governo esquerdista está do lado de vocês.

    E Leonardo, citar negros como ótimos artistas nao faz de você racista. Então citar gênios como Mozart, Verdi, Bach, Vivaldi, Beethoven, Haydn, entre outros milhares também não faz de mim racista certo?

  18. Prepara, que hora, dos comentários sobre não existir racismo, “os negros são os verdadeiros racistas e tem baixa autoestima” e “não é pela cor, não, menina!É que as músicas são ruins, mesmo!”.

  19. Achei a postagem meio absurda com algumas coisas que lí!
    Cara na boa, ela tá fazendo sucesso por que tem um trabalho de qualidade, músicas interessantes que agradam a maioria.
    A declaração sobre “ser fina” foi uma brincadeira, uma piada sem importância feita pela artista, pleo contrário, no mesmo programa em qual a declaração foi feita,a artista se rasgou em elogios ao “Bonde”. Temeridade é o Bonde das maravilhas, que apresenta mulheres como “buracos” onde o “macho” deve enfiar seu orgão reprodutor. Levando em consideração que em sua maioria as mencionadas anteriormente (“Bonde”) largaram a escola, falam errado, e mesmo ganhando dinheiro (por que sim, oque elas fazem dá dinheiro a beça) não procuram melhorar como seres humanos, duvido que alguma delas tenha lido no mínimo 5 livros ao longo da vida.
    Qual a letra das “musicas” do bonde? Qual mensagem elas passam? Que exemplo elas dão as adolescentes que se “inspiram” nelas.

    Na boa, música boa não se faz por negros ou brancos, música boa se faz com trabalho duro, qualidade e talento!

    Quer exemplos da música? Olha as grandes Divas da Black Music, Aretha Franklin, Whitney Huston, Martha Rives, Patti Labelle, Tina Turner.
    Boy band? B2K (uma das mais bem pagas da hitória)
    Cantor? Usher, Ray Charles,Michael Jackson, Prince…

    Na boa o grande preconceituoso nessa história é você!

  20. Diz existir uma variedade de cores e etnias no Brasil, por isso não dá pra separar e enxergar as suas necessidades particulares, mas até a hora de dizer quem tem “cara de bandido”, pois nessa hora invoca o “politicamente incorreto” pra dizer:”Todo mundo sabe quem tem cara de ladrão, mas agora, c/ o politicamente correto, ninguém pode dizer a ‘verdade’!”. Diz não ver cor de ninguém até o dia que o (a) filho (a) leva o homem negro, a mulher negra (sim, inverti os sexos!) pra casa:”Não é preconceito, não:mas como é que vão ser meus netos?”.

  21. Racismo cansa…
    Mas vou dizer uma coisa… o racismo não vai parar enquanto os negros continuarem sendo racistas.
    Agora vem aquele momento em que você provavelmente vai me julgar e dizer que eu estou dizendo besteira e vai argumentar sozinho até chegar a conclusão que eu sou racista…devo ser, não sei, não me importo, se eu for pelo menos guardo isso pra mim e não agrido ninguém nem deixo de tratar bem uma pessoa por sua raça.Enfim… o que eu quis dizer é que o que acontece muito quando o assunto é racismo ( ou homofobia que tem superado nesse sentido) é que as pessoas vêm racismo em tudo, e tentam se defender de ataques imaginários.
    Na boa se eu me ofendesse cada vez que alguém se refere a mim como ” ah aquele branquinho que senta la no fundo.” eu estaria perdido. Até brinquei uma vez e falei : “Me respeita, branco é cor eu sou Caucasiano!”… bem não fui muito bem interpretado nesse dia mas continuando…
    O caso do artigo é simples: Anitta faz um som “comercial” enquanto o bonde das maravilhas faz um (sonzinho clichê sem noção) som pouco aceito pelos padrões da sociedade( ou de qualquer mente sã). Se elas tem mesmo talento estão desperdiçando.
    é a mesma diferença entre Racionais e Hungria Hip Hop… entre funk ostentação e funk proibidão ( que tem esse nome por algum motivo ).
    Tudo depende de publico alvo.

  22. Se vc diz que pagode e funk são considerados ‘subcultura’ pq são músicas criadas e tocadas por negros, me responda então pq é que o sertanejo tb é considerado ‘subcultura’… Luan Santana é negro? Quantos mais?
    Eu acho que ninguém é obrigado a gostar de música nenhuma se ela não lhe agrada os ouvidos. Eu acho o funk uma coisa pavorosa… sendo Anitta ou não quem a interpreta. Adoro samba, adoro bossa nova, adoro a boa música brasileira. Mas escolho o que escuto. Não gosto de axé em geral. Mas curto muuuito o batuque do Ilê Aiyê e Olodum, por exemplo. Acho que para todo tipo de música existe a de maior qualidade e a que não é lá tão interessante assim. Menos no funk (pelo menos para mim) e não aceito ser chamada de racista por isso.
    E, olha, eu concordo com muita coisa que vc escreveu. Eu percebo o racismo diariamente na tv, na mídia impressa e em muitos lugares onde vou e tento combater sempre que posso.
    Mas a sua tentativa de associação dessa tal Anitta e o ‘sucesso’ (será que esse sucesso será tão duradouro qto o de uma Sandra de Sá ou uma Angela Maria ou, ainda, uma Margarete Menezes?) que ela faz ao fato dela não ser negra, como se os negros nunca tivessem tido espaço na música, pra mim beira à paranoia.
    Eu percebo que os negros infelizmente não têm muito espaço em muitas profissões, mas na música? Eu devo viver em outro mundo, então…

  23. Olha, eu confesso que nunca tinha parado para pensar da forma como você descreveu, e reconheço que você tem razão em alguns pontos (como a diferença da perspectiva das músicas dependendo do lugar onde você está), mas preciso concordar com alguns comentários anteriores.
    Eu sou branca, não gosto de funk, axé ou pagode. E não preciso ver a cor de quem canta para isso. Inclusive, não gosto da Anitta, mesmo que ela seja branca, mas gosto de alguns raps, sambas e rocks feitos por negros. Por sua vez, acho que realmente existe algum preconceito da mídia com os artistas que ele mostram, e é difícil para qualquer um aparecer sem uma gravadora e sem muito dinheiro por trás.
    Mas de fato, preciso elogiar a parte onde você expos essa diferença de tratamento do “fino” e do “vulgar”. Eu acho que o maior preconceito tem a ver com a classe econômica do que de fato com a cor, e isso é uma grande besteira, se pararmos para pensar na atual condição do país. Muita música boa pode vir da favela sim, e espero que os artistas de lá consigam ter seu devido reconhecimento.

  24. Não acho que esteja fazendo nada de errado ao expor um texto que carrega tua forma de perceber. Perceber, sim, é isso, perceber. Vivemos num matrix, onde estamos tão extremamente programados, que faremos qualquer coisa pra destruir quem não ´pense como nós.Ninguem que venha com uma idéia realista do que realmente vivemos será deixada em paz. Vivemos um sistema baseado em competição e escassez. Fato incontestável. Mas não seria melhor viver em cooperaçãO E ABUNDANCIA? certo que sim. fui.

  25. Acho que vocês estão sendo negativos ao post dela pois eu creio que ela deu o ponto de vista dela cada um tem o seu e eu acho que ela se equivocou mais cada um tem o seu o seu modo de ver as coisas, mais o bonde das maravilhas, na maioria das vezes as pessoas não olham na cor, (pelo menos eu) e sim do que essa música vai trazer para meu conhecimento, e acho eu acho sim que a Anita deu muito mais sucesso mais não foi pela cor dela , e creio que você deve ver por outros lados, sei que você deve achar que as musicas de cantoras brancas dão mais sucesso, mais não é bem assim, acho que não vai ser a cor que define, sei que algumas vezes há esse preconceito, mais pense, acho que eles escolhem porque vão ter mais publico, pois vão escultar aquela musica e vão gostar, então é isso Joanna na minha opinião você se equivocou pois querendo ou não você ta praticando um preconceito, porque você acha que as negras é quem devia ter mais sucesso? vou dar minha opinião acho que as negras sim devem ter respeito como qualquer ser humano, mais querer colocar como se eles deviam ter mais respeito, ou mais sucesso ? mais não é bem por ai. Mais você deve ter seus motivos para ter essa opinião e quero que seu blog de muito sucesso, é isso bjs.

    • Você primeiro fala em defender o meu ponto de vista depois diz que eu me equivoquei. Quem será que está perdida aqui?
      Saber interpretar deveria ser premissa para qualquer manifestação de opinião diante de um texto como esse. Em nenhum momento dizemos que uma tem que ter mais sucesso que a outra, até porque esse quesito ultrapassa o poder de uma pessoa só.
      A questão abordada pelo texto se refere ao racismo velado em que, como exemplo, foram citadas Anitta e o Bonde das Maravilhas.

      No mais, obrigada pelos votos de sucesso do Diário Afro. Espero que continue acompanhando!

      • Mais vamos discutir sobre o assunto! na minha opinião você se equivocou na parte que você falou que as músicas dela é um racismo velado, e que os negros que cantam funk são bandidos, que cantores negros são bandidos , que isso acho que nessa parte você não soube se expressar, mais o resto eu concordo entende e você está sendo negativa com todos que estão comentando suas opiniões pois algumas dessa opiniões são comentários construtivos, e olha num comentário de uma pessoa ela deu sua opinião (negativa) e você ja disse que descartava o comentário da pessoa que isso você fez o blog pra que ? se for pra ganhar dinheiro como você quer ganhar dinheiro sendo que muito dos comentários estão falando mal em ? e que você não aceita as opiniões, você fez o blog pra você ou pra outras pessoas visualizarem e gostarem em me diz?

      • Ana, não tire conclusões sem saber o que é verdade.
        A primeira coisa que contesto sobre suas alegações de que eu fiz o blog para ganhar dinheiro (oi?) e que não o fiz para as outras pessoas.
        1. Se eu estou ganhando dinheiro com isso, ainda não depositaram na minha conta. Aliás, o que isso tem a ver com o texto, afinal?
        2. O blog não é meu, apenas o administro. O blog é colaborativo (se você lesse o “sobre” saberia).

        Outra questão que rebato é: defendo o meu ponto de vista da forma que acho conveniente. Não é porque administro o blog que vou ser tão volúvel ao ponto de aceitar tudo o que postam, contrário à minha opinião. E mais, eu tenho aprovado todos os comentários, mesmo que sejam diferentes do meu posicionamento. Estou sendo seletiva, então?

        Agora, falando sobre o texto, que é o que importa.
        A autora não afirma que, por exemplo, os negros que cantam funk são bandidos. (Pelo amor de Deus, isso não faz sentido)
        Tente ler o texto novamente e interprete o que foi escrito. Esse aspecto, que você considera afirmação, é apenas uma suposição de como a mídia vê o tal negro que canta funk.

      • “Esse aspecto, que você considera afirmação, é apenas uma suposição de como a mídia vê o tal negro que canta funk.”

        Engraçado que naquele programa Esquenta, praticamente toda semana tem funkeiros negros. E eu não vejo eles serem tratados como “bandidos”, pelo contrário, o programa celebra a “””música””” deles. Não só no esquenta, mas em boa parte dos programas destinados ao “povão”, o funk aparece, e com cantores negros.

        Achei o texto extremamente paranoico. Se fosse no campo da educação, do trabalho, da cultura, ok, mas ao tentar usar a MÚSICA como área de estudo, praticamente todos os argumentos da autora são falaciosos ao extremo. Ou então ela não vive no Brasil.

      • Gustavo,
        só vou responder à primeira questão porque realmente não dá pra ficar falando a mesma coisa toda hora.
        O programa Esquenta é feito para um público específico. Veja que eu não estou dizendo que é para negro ou branco, rico ou pobre.
        Repare que os estilos musicais que sempre estão representados no programa são: funk, pagode e samba. Realmente, os negros são maioria aí.

  26. As pessoas que estão discordando do texto só tenho um trecho de música a comentar:

    Racionais, Capitulo 4 , versiculo 3

    “Você vai terminar tipo o outro mano lá
    Que era um preto tipo A ninguém tava numa
    Mó estilo de calça Calvin Klein, tênis Puma, é
    Um jeito humilde de ser no trampo e no rolê
    Curtia um funk jogava uma bola
    Buscava a preta dele no portão da escola
    Exemplo pra nós, mó moral, mó ibope
    Mas começou a colar com os branquinho do shopping (aí já era)
    Ih, mano, outra vida, outro pique
    Só mina de elite, balada, vários drinques
    Puta de butique, toda aquela porra, sexo sem limite, Sodoma e Gomorra”

    Vocês começaram colar com os branquinhos do shopping, e perderam já a noção do próprio racismo que sofrem , isso sim.

    O texto não fala sobre funk ser bom ou ruim…faltaram na aula de interpretaçao de texto ? acho que sim

    • Finalmente uma alma que consegue ler e interpretar.
      E, para evitar as represálias, não digo isso porque ele concorda com o texto. E sim porque conseguiu entender sobre o que o texto fala!

      E, Thiago, concordo contigo.
      É mais fácil se alienar no meio dos racistas, que se dizem não-racistas, para abafar o grito dos que sofrem.

  27. Texto com tempero de exagero…visto q a mídia convencional perde força a cada dia… e que oa funks citados são diferentes, logo trazem resultados diferentes…Eu q não gosto de funk percebo essa diferenciá…Concordo qo racismo existe mas a Vitimizacao dos negros também existe em igual proporção

  28. u preferi me manter calada. A Anitta não é e nunca vai ser Branca. Fazer plástica no nariz e alisar o cabelo não torna alguém caucasiano. O fato é que a autora fez o certo (defender o bonde), de maneira errada (atacando a Anitta). Ela é apenas mais uma alienada, como tantos outros dentro e fora de movimentos. Qual foi o erro da autora? Ela afirma que a Anitta é branca. Coisa que nunca vai ser. Vai viver no limbo o resto da vida. Nem aqui (sendo negra), nem lá (sendo branca). Eu sei o que é isso. E sei interpretar bem este texto. Por favor, passei e passo o mesmo todos os dias para saber o que é ser mestiço. Não me diga o que sei por experiência própria. Jô, com todo respeito, mas milhares de mulheres aqui no Brasil e no mundo passam por isso (embranquecimento pelo alisamento). Veja a Michelle Obama, a Glória Maria, a agora alisada Thaís Araújo. Outra coisa, você mesma disse: “vou continuar batendo na mesma tecla até que as pessoas comecem a interpretar adequadamente o texto”. Como boa jornalista. Você sabe que se a referida autora tivesse escrito um bom texto em termos de conteúdo e profundidade, ele mesmo seria auto-explicativo. Não haveriam lacunas interpretativas, não seria complicado fazer com que as pessoas entendessem o que a autora, também parte da elite, quis dizer em seu texto cheio de ideias preconceituosas.

  29. Concordo que o negro ainda sofra muito preconceito hoje. Concordo que muitas minorias, e não apenas os negros, sofram muito preconceito ainda. Nao faço parte de nenhuma minoria que sofra preconceito no Brasil, mas concordo que ele ainda exista. O machismo existe, o preconceito racial existe, a homofobia existe e quando não é de forma explícita, esta de forma velada em muitas coisas.

    Discordo que esteja velado na falta de notoridade de artistas negros. Tão qual não está em artistas homosexuais, mulheres ou seja qual grupo da sociedade que ainda sobre preconceito. Acredito muito que a música seja um dos poucos ambientes em que esse tabu não existe. Concordo com muitos quando dizem que Anitta faz sucesso pela sonoridade de um funk light como é Naldo, Buchecha entre outros. Não há relação direta com sua cor de pele.

    Nao sejamos inocentes, o preconceito existe em todos os outros campos da sociedade, seja em posições ocupadas em empresas ou em questões diárias, ele infelizmente ainda existe. Entretanto na música isso não é verdade. Na música as guardas baixam. Talvez até pelo fato de que a música se escute com os ouvidos e não com os olhos, as pessoas acabam aceitando por um breve momento que somos todos iguais. Quando a música é boa, quando ela te emociona, quando ela te alegra, é pelo som e não pela imagem. Infelizmente essa percepção fica no inconsciente da maioria.

    Não precisamos fechar os olhos para realidade de preconceitos que existem. Mas precisamos também abrir os ouvidos e aprender que existe esse lugar onde o preconceito não existe mais, em que de James Brown a Gilberto Gil, Bob Marley a Michael Jackson, Milton Nascimento a Ray Charles, do Jazz ao Samba, do Blues ao Reggae, hoje a música feita por negros não sofre preconceito quando te conquista pelo som, o que não significa que os negros, os homosexuais, as mulheres, as minorias não o sofram.

  30. “A questão não é atribuir uma identidade a Anitta ou outras artistas brasileiras, mas sim levantar o questionamento sobre a possibilidade de sucesso e a aceitação social dependerem de uma branquitude, seja ela real ou imposta. Uma pele clara e um cabelo liso combinados com uma sexualidade moderada e restrita são necessárias para o sucesso das mulheres.”

    http://blogueirasnegras.org/2013/08/16/anitta-embranquecimento-e-elitizacao/?fb_source=pubv1

  31. Desde quando rock é a unica musica de alta classe? O reggae é difundido em quase todos os estados brasileiros e tem predomínio de músicos negros. Não conheço ninguém que considera Anita musica de alta classe, é horrível. Pra mim é um tipo de musica muito parecido com “É o tchan”. E só pra lembrar, o funkeiro que com sobras ganha mais é o MC Catra. Acho que sobrou foi um pouco de preconceito da autora do texto.

  32. Bom, eu sou branca e digamos que depois de uma longa trajetória da minha família por conseguir uma vida estável e sólida, hoje me enquadro na classe média.

    Faço o curso de direito e estou trabalhando os meus pensamentos radicais aos poucos, pois admito ser um conservadora e arcaica.

    Acredito que a mulher, principalmente, tem que ter valor próprio, auto confiança e segurança de seus ideais e capacidades. Isso implica dizer que, no meu ponto de vista, não importa o quanto uma mulher consegue ser “moderninha” e se padronizar às novas concepções de maneira rápida e impensada se ela não tiver convicção dos seus ideais e uma justificativa plausível pelo qual acredita neles e continuar, mesmo que a favor, questionando os porquês de aceitar uma determinada ideia para que possa sempre retificar seus erros e mudar as suas opiniões caso tenha sido equivocada ou injusta.

    Acompanhar a evolução da humanidade e deixar se levar pela moda de acreditar em determinados conceitos, previsões e determinações pelo simples fato de ser moda, não me convence de que você seja uma feminista, uma realista, uma ilusionaria, uma religiosa etc…

    Primeiro quis esclarecer o meu ponto de vista antes de iniciar o meu comentário, pois sei que muitos vão discordar de mim.

    Antes da Anita aparecer, muitas pessoas de classe média e classe alta já frequentavam os bailes de funk mesmo nos morros das favelas pelo toque eletrizante e tipico das baladas eletrônicas.

    Como diria um próprio funk: é som de preto, de favelado (julgamento dos pais, mídias e até mesmo dos próprios riquinhos frequentadores dos bailes), mas quando toca NINGUÉM fica parado.,

    A verdade é que a mídia (Gabriel Pensador = A programação existe pra manter você na frente, na frente da TV, que é pra te entreter, que é pra você não ver que o programado é você) PRECISAVA de um ÍCONE, para levar aos pais caretas e à própria comoção social, do funk. Podendo assim ser livremente cultuado, graças a censura previamente imposta para circulação do funk.

    Retroagindo, gostaria de dizer que a Anita, desde que se lançou no garagem do Faustão (link= http://tvg.globo.com/programas/domingao-do-faustao/garagem-do-faustao/videos/t/tv-garagem/v/tv-garagem-carol-macedo-e-anitta/1726127/ ) deixou bem claro que ela queria sim ser funkeira, não uma funkeira de classe, mas sim uma que pudesse dissipar um hino para as pessoas, um funk do bem, de que elas podem se sentir bonita, poderosas, sexys e não ser vulgar e que o movimento de vulgarização da música prejudicaria qualquer estilo musical, inclusive o funk.

    Na região que eu moro (nordeste) existe vários tipos de forró que leva a mulher a uma imagem completamente de objeto. Quem conhece sabe.

    Outra coisa que queria dizer a respeito do gênero música, é que um dia desses eu abismada com as letras das músicas existentes hoje em dia e que as menininhas de até 10 anos sabem a coreografia completa, parei e fiz uma retrospectiva da minha vida, aí com a maturidade dos meus quase vinte anos, percebi que, na minha infância fui fã e também sabia de todas as coreografias de um Grupo chamado “É o tchan”, inclusive eu e minha prima ganhamos até um daqueles conjuntinhos que reproduziam a roupa das dançarinas. Depois que eu me lembrei de alguns trechos das músicas do tchan …

    1. Pau que nasce torto nunca se endireita… menina que requebra… mãe, pega na cabeça
    2.Vai ralando na boquinha da garrafa… vai descendo na boquinha da garrafa… vai saindo da boquinha da garrafa… Vai subindo na boquinha da garrafa
    3. Tem sessenta de cintura, Que gostosura 105 de bundinha Que bonitinha
    4. Encaixa, encaixa, encaixa, encaixa, encaixa, encaixa, Remeche e agacha
    5. Bota a mao no joelho e da uma baixadinha, vai mexendo gostoso, balancando a bundinha
    6. O califa tá de olho no decote dela… tá de olho no biquinho do peitinho dela… tá de olho na marquinha da calcinha dela… tá de olho on balanço das cadeiras dela

    Bom Acho que é melhor parar por aí… Acontece que naquela época eu não tinha consciência de quão sugestivas e de apelo sexual tinham as músicas, coreografias e roupas. Mas mesmo assim era aceito por quase TODA A CLASSE MÉDIA, e frequentemente transmitido pela mídia.

    Então para concluir mesmo o que gostaria de dizer é que, o conteúdo das músicas de apelo sexual não é o problema, ouvimos todos os gêneros musicais com presença de algum tipo de descriminação, seja ela classicista, racial, de gênero e/ou posturas ideológicas. Então à vocês que se ativeram apenas ao teor musical tratado pelo post’ entendo perfeitamente vossas opiniões, e concordo a música produzida pelo bonde das maravilhas é de péssimo gosto. Más há quem goste, reproduza e cante.

    Gostaria de relatar mais um episódio, recentemente o Dança dos Famosos apresentou funk, a produção do programa chamou o bonde das maravilhas e o bonde dos novinhos ( link=http://www.youtube.com/watch?v=A7GxQJ5pBe8 ) e foi impressionante a cara de desgosto do Daniel Boa Ventura. Acontece que o que foi uma brincadeira divertida nos bastidores, MAS SUAS PARTES MAIS “BAIXAS” CONSIDERADAS PELA GLOBO NÃO FORAM TRANSMITIDAS.

    Então apesar de Anita ser parda, Naldo ser Negro, Claudinho e Bochecha também, e os Cantores do É o tchan serem uns negões visualmente (sem preconceito com meus termos), o que podemos notar é que a mídia precisa DISFARÇAR O SEU PRECONCEITO, então o racismo tá sim evidente e Anita só não está inclusa como vítima nisso porque ela foi escolhida pela mídia para dar uma resposta aos clamores de reconhecimento do funk e de certa forma os seus “valores” se encaixaram na sociedade machista e racista …. Porque só para deixar claro se ela não se vestisse como tal, e não requebrasse ‘sendo sexy sem ser vulgar’ lema, também não seria ACEITA. Até porque freiras não fazem nenhum sucesso, mas isso é discussão para outra hora

  33. Entendi a mensagem que o texto tentou apresentar mas que muitos não a interpretaram da mesma forma.
    Faz todo o sentido essa postagem. Não acredito que o intuito seja falar que o bonde das maravilhas é a coisa melhor do mundo e com qualidade musical etc, mas entrar numa esfera que muitos ignoram.

    É bem isso, funk na favela é horrível, triste, coisa de preto, música ruim, podre etc. Mas quando toca nas casas mais caras do eixo Rio-São Paulo, ah meu amigo, aí é chic. Lembram daquela música: É som de preto, de favelado, mas quando toca, ninguém fica parado. Resume um pouco isso.

    Pagode é a mesma coisa. Discriminado ao extremo. Eu, particularmente, prefiro um samba de raiz. Mas já não deixo de ouvir um bom pagode. No meu caso, depende da minha proposta naquele momento.

    Sobre a revista Capricho, alguns postaram algumas capas de revistas. Capas essas embranquecidas. Vejam a tonalidade da pele das mulheres ali apresentadas. Representa a tonalidade de sua cor? Quer dizer que a atriz Thays Araujo é clarinha daquele jeito, ou a própria cantora Rihanna? Sem contar o cabelo de ambas, conforme alguém já comentou.

    A resita Capricho é uma revista nociva para as crianças negras. Em 12 capas mostrar 1 capa a cada sei lá quantos anos com uma menina negra, é excluir as crianças negras de se verem. Pior, determinar a elas que aquele é o padrão de beleza aceito. Pois é o comentado por todas as amiguinhas etc. Dentro da revista, quantos atores mirins negros foram mostrados como “galã”?

    O que muitos não entendem é que há um padrão racista imposto pela grande mídia. Desde comerciais de TV, novelas, programas jornalísticos etc.

    isso se reflete no contexto deste post. Uma mídia fabrica um produto porque acha que ele é comerciável (como tá sendo). Ao fazer isso determina que, no caso do funk em específico, preto não vende.

    A maravilhosa cantora Paula Lima, teve em seu início de carreia a passagem pelo funk como le gusta, outra banda sensacional. É um funk diferente? Sim. Fez e faz sucesso? Sim. Mas nem de longe teve ou tem a exposição que uma Anitta. O que em resumo a autora quis dizer é que se fosse uma pretinha de cabelo afro no lugar da Anitta, não teria a mesma exposição, o mesmo espaço e muito menos a mesma aceitação. Mesmo a música sendo a mesma, o ritimo o mesmo, a dança a mesma e mudando apenas a pessoa. Porque? Porque para a grande mídia, preto não vende. Apensa consome.

  34. -Muitos ainda não se deram conta que são negros, talvez por comodismo ou falta de sensibilidade social, e ou até mesmo por falta de conhecimento(leituras sobre o a nossa história),ou nunca teve o mínimo de curiosidade de ler algo sobre Nelson Mandela ou Luther King e outros !

  35. Muito bom o seu texto, gostei!! É tudo que eu observo, mas não tenho como compartilhar de tais ideias pois sou sempre hostilizado e chamado de ”paranoico” ou ganho um certo rótulo de ”estou sendo racista comigo mesmo”… O racismo começa na escola onde se aborda mais sobre história europeia, colonizadores e bla bla bla… o que deixam de páginassobre história afro nos livros do ‘MEC’ (se der sorte 5 pág..) se resume em: O preto foi escravo, o preto apanhou muito, foi caçado, marginal, seu representante foi Zumbi dos Palmares, a Isabel ficou com pena e deu-lhes a liberdade… FIM.
    Foi isso que eu aprendi sobre cultura preta brasileira em todo meu ciclo escolar.
    O texto escrito foi e é, exatamente o que eu pensei quando comecei a analisar e os ”porquês” de tal sucesso sendo que muitos vieram antes dela.
    O MC Naldo também é um exemplo de criticas, ele tem o direito de fazer um casamento bacana com a ‘mulher morango’ com tudo do bom e do melhor. A mídia aborda o casamento do MC Naldo com um certo deboche, deixando uma mensagem subliminar no ar, querendo dizer que: ”O funkeiro pobre querendo dar uma de rico gastando rios de dinheiro em um casamento”… Sem contar o povo que posta várias coisas hostilizando o casal. Por fim, gostei do Blog e vou acompanhar, gostaria de trocar e-mails com o(a) administrador(a), é bom dialogar com pessoas de mente aberta. Parabéns!!!

  36. A partir do momento em que a autora chamou Anita de branca a sua argumentação perdeu a credibilidade. Anita é parda assim como, por exemplo, o Zeca Pagodinho. Racismo e despeito é chamá-la de branca só porque é bonita e faz sucesso. Hoje se tenta dividir etnicamente o Brasil em pretos e brancos e se esquecem dos mestiços que não se situam nesses extremos. O erro está aí. O maior erro estatístico é dizer que os negros são maioria da população brasileira. Na verdade, os mestiços é que compõem a maior parte de nossa população. Não tomemos mestiços como negros nem como brancos. Agora é mais fácil uma música com letras nonsense, sem agressividade e pornografia fazer sucesso com um público mais heterogêneo do que o contrário. E tendo ainda uma jovem parda e bonita. Beleza ajuda muito e para ser bonita não é preciso ser branca. Deu a entender que a autora associou beleza à brancura. No caso de Anita, o tipo de pop-funk que ela faz e sua beleza contribuiram para o seu sucesso. Quanto à qualidade musical em si, suas músicas são de péssima qualidade assim como os outros funks que lhes são antagônicos poética e ritmicamente. Sucesso não quer dizer qualidade.

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